Introdução a ideia de programa anarquista!

Este texto é parte de uma pesquisa sobre o movimento anarquista feita por Flávio Luizetto e faz parte de uma série de artigos que será publica em omutualista.org, para ler os demais textos clique aqui.

Era próprio do pensamento anarquista moderno (século XIX e início do século XX) opor alguma resistência á ideia da elaboração prévia de planos e programas a serem aplicados no caso de êxito da (r)evolução social.

A restrição justificava-se por óbvia necessidade de coerência: defensora intransigente da liberdade, não haveria a direção do movimento de querer impor á coletividade ou individuo a obediência a um projeto proposto sem a correspondente participação social. A edificação da sociedade Ácrata, desde as suas características gerais até os detalhes da sua organização e os pormenores do seu funcionamento era considerada tarefa eminentemente social; portanto, deveria ser definida com o assentimento de todos, de modo livre, por pessoas livres.

Assim acostumava argumentar a maioria dos representantes do pensamento libertário moderno, entre eles Kropotkin, que em muitas ocasiões condenou a prática da elaboração de planejamentos pormenorizados. Não obstante, o próprio Kropotkin, a exemplo de muitos outros companheiros, dedicou boa parte de sua militância ao assunto. Nessa matéria dizia, deve-se evitar as minúcias; mas não era o caso, absolutamente, de abandonar o hábito das discussões sobre a configuração a ser dada á futura sociedade libertária, mesmo porque era preciso estar preparado para os acontecimentos, isto é, para a (r)evolução social, cujo advento julgava próximo.

Sobretudo, de modo algum poderia se repetir, advertia Kroptkin, o que aconteceu na época da Comuna de París: naquela oportunidade, “se alguém perguntasse o que fazer no âmbito da produção, da habitação ou da alimentação, ouviria uma verdadeira cacofonia de respostas contraditórias…”. Ninguêm sabia dizer quais as providências a serem tomadas de imediato: “Ocupar as fábricas? Cooperativas coletivistas ou Cooperativas individualistas? Ocupar as casas e proclamá-las propriedade dos revoltosos? Racionar os víveres? Organizações técnicas ou primitivas?”. E assim por diante, nenhuma resposta fundamental para a sobrevivência da Comuna encontrava resposta pronta, clara.

Enfim, era evidente para os libertários que a incerteza e a improvisação reinante nessas ocasiões poderiam comprometer o êxito de uma boa iniciativa e, dessa forma, apesar de todas as objeções e reservas feitas aos programas e projetos, pode-se dizer que os anarquistas praticaram com alguma regularidade o exercício do planejamento.

Nos textos seguinte, vamos conferir as diferentes propostas anarquistas sobre a futura sociedade libertária.

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