Presença feminina nos jornais brasileiros do século XIX

Durante o século XIX, as mulheres passaram a fundar jornais e a divulgar suas obras e reivindicações por meio da imprensa. Muitos foram os jornais do século XIX dirigidos por mulheres e voltados para as questões do feminino.

Para uma melhor compreensão desse panorama jornalístico, acompanhe o retrospecto de jornais femininos a seguir.

1839 – Surge o Correio das Modas, que circulou até 1841, abordando temas como literatura, crônicas de bailes e teatros.

1852 – Surgiu O Jornal das Senhoras, editado pela argentina Joana Paula Manso de Noronha, diposto a colaborar com a educação da mulher.

1862 – Júlia de Albuquerque Sandy Aguiar fundou o periódico Bello sexo, que tratava de religião, educação feminina e questões culturais.

1873 – Surgiu o primeiro jornal feminista do Brasil, O Sexo feminino , editado em Campanha, Minas Gerais, por Francisca Senhorita da Mota Diniz. Além de informações sobre literatura e amenidades, o jornal se dedicava também á educação da mulher e á defesa das causas abolicionistas. Em 1875, já no Rio de janeiro, Francisca reeditou o jornal, até ano 1890.

1888 – Josefina Álvares de Azevedo, irmã do poeta Manuel Antônio Álvares de Azevedo, fundou em São Paulo o jornal A família, dedicado a educação de mães. Posteriormente transferido para o Rio de janeiro, o jornal circulou entre 1888 e 1897.

O grande número de periódicos femininos existentes nessa época mostra um pouco do espaço cultural conquistado, pouco a pouco, pelas mulheres, apesar do pequeno espaço de alcance dessa produção em nível nacional. Muitos dos jornais até 1873 se dedicavam a temas considerados “tradicionais” do universo feminino, como beleza e criação do filhos, e após esse período começaram a adotar e surgir novos jornais abordando temas mais polêmicos para época, como a abolição da escravatura e o direito feminino a educação e ao voto. Os jornais femininos eram divulgados entre mulheres, em círculos relativamente restritos, e havia pouco contato entre as editoras de cada jornal segundo os registros da época, diferentemente do que acontecia com os jornais de circulação ampla, editados por homens em sua maioria.

Com a abolição dos escravos, em 1888, um tanto do ímpeto dos jornais femininos se perdeu. Com a possibilidade de conquista do voto ainda se configurando como um sonho distante , mesmo com a chegada da República, a maior parte desses periódicos deixou de circular, embora muitas de suas fundadoras e colaboradoras persistissem na luta pelos direitos das mulheres.

 

Fac-símle da primeira página da edição inaugural de O sexo feminino, de 1873

Fac-símle da primeira página da edição inaugural de O sexo feminino, de 1873

 

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